quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

MANIFESTAÇÃO DE PROTESTO



Exatamente uma semana após o falecimento do Cabo F. Brito, nós, familiares e amigos manifestamos através de um ato público em frente ao portão lateral do Corpo de Bombeiros Do Amapá nossa indignação: NEGLIGÊNCIA e EXCESSO nas instruções por parte dos instrutores do Curso de Sargentos.

Segundo informação do Comandante, foi instaurado um Inquérito Militar para apurar a causa da morte.

Obtivemos informações das atividades que eram realizadas no curso, o que nos trouxe muita revolta. Pois em um Estado Democrático de direito que tem como um de seus fundamentos a DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA (CF, art. 1º, III) e proibição expressa à TORTURA, tratamento desumano e degradante, (CF, art. 5º, III) é inaceitável saber que pessoas, aqui, tão perto de nós, dentro de Instituições renomadas como o Corpo de Bombeiros, cujo lema é : “Vidas Alheias e Riquezas Salvar” estejam sendo submetidas a atividades como ficar de meio dia à uma hora da tarde, sob o sol escaldante da Amazônia, onde a temperatura passa tranquilamente dos 40 graus... sem alimentos e extremamente exaustos, sem dormir, e sem descansar durante dias.

Concordamos que os cursos de formação e aperfeiçoamento são importantes para a carreira, mas o que não podemos aceitar são os EXCESSOS e a FALTA DE SEGURANÇA durante esses cursos.

Pois a vida desses militares, como direito fundamental e inviolável deveria ser resguardada e protegida, através de todos os equipamentos e procedimentos existentes na Corporação, para poder “SALVAR OUTRAS VIDAS”.

Esperamos clareza e transparência nas investigações para que haja JUSTIÇA, para outras famílias não sintam a amarga dor que sentimos agora.

Mas em uma coisa confiamos: a JUSTIÇA DE DEUS: onde cada um prestará conta e responderá de acordo com cada um de seus atos.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

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Irresponsabilidade dos comandantes do Estágio de Selva

O estágio de selva empreendido aos alunos a Cabo e Sargento tem o objetivo de ensinar, aprimorar, adequar e despertar para a reflexão as práticas inerentes ao resgate de vítimas em ambiente de selva, ambiente este hostil e que se necessita se ter um conhecimento especifico para que a missão de resgate tenha êxito.
Para que tais conhecimentos venham a tona e sejam apreendidos, é necessário que se submeta os alunos a um grau de instabilidade na mata, racionando comida e até mesmo aguá, no entanto a exposição dos alunos deve ser medida, feita com responsabilidades segurança.
Qualquer instrução deve ser planejada, aproximada da realidade mas com grande suporte logístico e de pessoal, se deve levar em consideração ainda os limites de cada um, independente de estarem realizando os desafios e conquistando as etapas em grupo, em conjunto.
O estágio de selva do curso de Sargentos Bombeiros Militar chegou ao fim no segundo dia de instruções pois tombou mais um bombeiro de nossa fileiras, morreu afogado o aluno a sargento F.Brito, antes cabo, que havia servido o exército, tendo experiência de selva, dentre outros conhecimentos inerentes à nossa profissão bombeiro, estando com sua equipe de resgate. Então pergunta-se o que aconteceu?
O AL SGT F.BRITO realiza uma transposição de curso d'água em cabo submerso, em determinado momento do trajeto ele afundou e não mais retornou, os amigos que estavam com ele atravessando foram em seu resgate, afundaram junto, emergiram, submergiram novamente, foi uma luta brava pois todos estavam extremamente debilitados, sem comer, com pouca água, e sem dormir desde a noite passada. Trouxeram então o aluno F.BRITO até à margem já sem respiração mas ainda com batimentos ( grau 5 na escala de afogamento), foram feitas as insuflações necessárias pelos próprios companheiros de curso, a essas alturas, os responsáveis pela instrução tentavam conseguir o transporte para levá-lo ao hospital, tudo com muito desespero pois os demais amigos de curso presenciaram todo o episódio, uns se revezavam para ajudar, outros ficaram atônitos, meio que em choque. Conseguido o transporte, fizeram a remoção dele até o hospital procedendo com a RCP pois F.Brito já estava em parada cárdio respiratória.
Os esforços não impediram que o pior acontecesse e o aluno a Sargento Edson Ferreira Brito veio a ser declarado morto pelos médicos do Hospital de Emergência de Macapá.
Pior do que perder um companheiro de curso nessas condições, é ser responsabilizado por isso. Segundo relatos dos outros alunos, estes foram deslocados até a academia ( o ocorrido se deu entre 18:00 e 21:00h), foram colocados em uma sala e foram escarnecidos por não terem conseguido salvar a vida do companheiro.
Senhores isso é tortura psicológica.
Na realidade, os oficiais e instrutores do estágio não souberam avaliar o grau de cansaço e condições em que a turma de sargentos se encontrava para realizar a instrução de transposição de curso d'água e ainda por cima, a noite. Não havia nenhum aparato médico no local, nenhuma ambulância de prontidão, nenhum profissional que pudesse dar suporte aos alunos em caso de alguma eventualidade, temos tantos médicos e nenhum estava lá, havia somente os kites de primeiros socorros que os alunos levaram para os acidentes corriqueiros de uma estada em selva como esparadrapo, pomada para irritações de pele, gases, comprimidos para dor de cabeça, faltou bom senso e planejamento.
Não se pode submeter um bombeiro a condições tão extremas sem lhe dar um apoio, nenhuma equipe de busca irá resgatar alguém em mata se estiver extenuada fisicamente, com ferimentos graves, debilitada, com fome e sede, caso contrario a ocorrência alcançará proporções bem maiores pois não era mais uma vitima a precisar de socorro mas sim várias.
Submete-se o bombeiro a adversidades para que ele consiga raciocinar no sofrimento, consiga controlar o medo e driblar a confusão mental provocada pela fome, sede ou o cansaço mas não se pode fugir dos limites desse guerreiros, todos possuem resistências diferenciadas, e mesmo estando em grupo, a exaustão e debilidade de um combatente é determinante para o êxito ou fracasso da missão, por isso se deve descansar, se alimentar, discutir sobre a atuação e posteriormente continuar a jornada.
O estágio dos sargentos começou tal qual o nosso Estágio de Cabos, da três horas da manhã de domingo para segunda-feira, na localidade do Curralinho, afastada de nossa capital.
Justamente por ser longe de qualquer auxilio, os oficiais à frente do estágio deveriam estar preparados de todo material e pessoal necessário se um evento dessa natureza, sobrevivência e resgate em selva não é brincadeira.
Brincaram com nossas vidas, nós os cabos tivemos sorte e proteção divina pois conseguimos chegar ao final do Estágio bastantes frágeis, desidratados e debilitados, mas chegamos vivos.
O AL SGT Edson Ferreira Brito infelizmente teve a vida ceifada pela irresponsabilidade de pessoas sem escrúpulos que pensam que o combatente bombeiro militar deve ser resistente a tudo.

A corporação deve adquirir a consciência de que a maior riqueza de suas glórias não são as vidas dos cidadãos que ele salva, mas é o seu próprio contingente de pessoal, são os seus bombeiros que necessitam de amparo, reconhecimento, investimento e motivação, pois sem eles o objetivo da instituição não é alcançado.

ANJO DA VIDA


Não conseguíamos acreditar na noticia que nos chegou: A morte de um familiar, o AL SGT BM F.BRITO, para nós, Edson Ferreira Brito, 36 anos, desses, 14 anos servindo ao Corpo de Bombeiros.

O filho preocupado, o irmão companheiro, o esposo fiel, o pai amoroso... o tio, o genro, o cunhado, o amigo, o irmão.
Um jovem cheio de força e vida, bombeiro experiente, já tinha servido o Exército e estava na última parte do Curso de Formação de Sargentos, no Estágio de Selva na localidade de Curralinho durante uma instrução de cabo submerso.

Porém, o que era pra ser um local de instruções se transformou em um campo de tortura. Tivemos a informação que eles estavam sendo submetidos a tratamentos degradantes, desumanos, e cruéis, quase sem alimentação, água e ainda sem dormir ou mesmo descansar realizavam esforço físico extremos o que levou alguns ao desmaio e infelizmente o estopim: a morte de um deles.

No local, nenhum tipo de suporte médico nenhuma ambulância, não tinha segurança e nessas condições, a morte era algo previsível.
Isso prova que não foi fatalidade.
Roubaram-lhe as forças e arrancaram sua vida. Destruíram com seus planos e sonhos.

É inaceitável que os responsáveis por essa tropa, por essa tragédia, ou os teriam que ter o mínimo de responsabilidade continuem ostentando o "SALVAR VIDAS", pois provaram que são ANJOS DA MORTE entre ANJOS DA VIDA.